“Você!”

_ voltei! – ele estava pelado em frente ao espelho, apoiando nas mãos sobre a pia e encarando sua expressão feliz. _às vezes demora mais do que deveria, no entanto, quando a reconexão acontece, enfim, nada mais importa…

com ela dentro do corpo, e na mente era sim, um completo ser que viveria em fluidez passando pelas pedras como as águas de um rio tortuoso e solto; e sentindo-as, ásperas e rugosas, lisas e lodosas, e eram boas as sensações e a melhor de todas, perceber que mesmo as que lhe eram incomodas e consideradas ruins, ainda assim, a Santa Planta, ela deixava tudo mais… macio!

sem ela viveria aqueles dias tortuosos onde a cabeça não para de pensar, não para por nada, e seus olhos ficam perdidos de um jeito ruim, não existe foco ou decência, saber o que ocorre com outros humanos em qualquer lugar do planeta e não poder fazer quase nada… quase… ansiedade é foda não é mesmo?! e por que tanta ansiedade, esse incomodo eterno de não saber as respostas e viver como se fôssemos realmente personagens de um jogo, de uma história qualquer, uma passagem simples, uma rocha explodindo em pedacinhos insignificantes e se tornando poeira…

saiu do banheiro e procurou por uma calça no meio das roupas bagunçadas em cima daquele velho baú… olhou para aquilo com um sorriso tão grande e perguntou para si mesmo dentro de sua cabeça quem é que se importava com aquilo, se a passagem é uma delícia para viver, se conhecer novas pessoas, se poder criar vida, plantando sementes e pintando telas… conectar intimidades correndo juntos e pelados de mãos dadas pelas praias de areias salgadas e doces, do ritmo forte e pulsante, da batida pesada e gritante, até a calmaria… aquele orgasmo excitante, de todas as células, dos neurônios, até a barriga, abaixo do umbigo aquela sensação de prazer, genitálias ardentes… era para ter sido em outro conto, no entanto, ele saiu de casa e foi tomar um banho no mar… sinto uma saudade enorme de…

Fim do Dia…

era aquele momento em que a sobriedade tomava conta e ele ficava com uma impressão ruim de que estava com uma dor de cabeça… era a maconha indo embora de seu corpo, deixando-o vulnerável ao estado normativo social, aquele que te cobra e te coloca em um lugar bem estranho, em que se acredita que a vida tem haver com o “fazer”, seja um trabalho ou um hobby, buscando sempre alguma coisa que daria algum sentido à existência…

Por algumas vezes ele se encontrou com o mar e diante dele refletia e tentava uma conversa franca iniciada pela pergunta, “e agora?”, e ele com os pés atolados na areia, brincando de fazer montinhos ficava esperando uma resposta que nunca viria, nunca chegaria, nunca se faria entender… não para ele que era uma pessoa cética, e que, apesar de não gostar nem um pouco da vida comum, nos dias e dias de transito, trabalho e televisão (ele vivia assim, à sua maneira como qualquer outra pessoa), também não acreditava em um fim abrupto de sua própria vida…

tentava compreender e ter empatia pelo assunto do suicídio, no entanto não se via assim e não se considerava um, apesar de todos dentro de sua cabeça concordarem que era bem melhor não existir, do que existir e ficar fazendo qualquer coisa para buscar um sentido, sendo que pássaros voam, e golfinhos mergulham, o mar está vivo, e não por que está cheio de espécies que nem imaginamos existir, mas por que é feito de água, deliciosamente água…

sóbrio se questionava se valia a pena o que estava fazendo, se questionava por não ter objetivos concretos ou sonhos que não fossem realizáveis pelo estado em que se encontrava, se questionava pela própria sobriedade, algo que ele achava um saco, visto que nem o trabalho, nem um hobby, nem mesmo sua criatividade o libertaria dessas sensações estranhas que seu corpo o colocava… se tiver algum objetivo, seja qual for, parece que vai facilitar o processo até o seu fim… ou então dá seu jeito e planta sua planta, afinal de contas, a conexão com a natureza o faz muito mais “real” e “presente’ dentro dessa aceitação bizarra, de que acordamos, trabalhamos, fazemos algo de agradável para nós mesmos, e depois, morremos…

P.S. Detestava estar sóbrio, então resolveu escrever para si mesmo, caminhou na praia e por algum momento, agradeceu e… criou…

“Contos Ilustrados…”

“…de manhã para a noite, sorrisos…”

Leia e Sinta! ❤️

“Passando um Tempo no Universo”

e voltou a acontecer e realmente… aconteceu! aquele sentimento que percorre a pele, sente-se em alguns pontos específicos do corpo e se confunde com o tesão, por conta dos arrepios, porém, são sossegos. físicos mesmo… sentidos com tanta potência que se torna palpável, do jeito que aquele nosso amigo conhecido gosta de se sentir, com conforto, com leveza. explodiu, claro que conseguia sentir e controlar a intensidade, era bem diferente, épocas, idades, gostos, vontades, momentos e situações… e principalmente as ações e as pessoas atuantes. havia um jogo rolando, lembra, ele não curtia jogar, contudo, aquela editora havia questionado isso o tempo inteiro, como não aparentavam as duas possibilidades, ou mais… “sabem ler nas entrelinhas…” e ele sequer quis pontuar a interrogação, deixou para o leitor se perder e questionar, sobre o que estava lendo, o que fazia sentido, num mundo tão caótico e teoricamente organizado por nichos de acessos segundo seu level, seus coins, seus pontos de vida… um jogo…

quando você se sente livre, o que isso significa para você? mais ou menos parecido com aquela outra pergunta, quando alguém te conhece, ou você conhece alguém novo em sua vida, você se apresenta com um sobrenome e um título, um conhecimento técnico, um cargo ou ocupação… você é ou se apresenta como o seu trabalho?

sentia a emoção da gratidão e a felicidade pela “falsa” segurança que ele podia ter para viver e produzir aquilo que ele acreditava que lhe fazia bem, feliz, tranquilo para caminhar pelo complicado complexo de “homosapiens“, quando em qualquer lugar do universo e planetas e sabedorias, apenas o alimento, mental, físico, digestivo, e o descanso para recuperar e reconstruir a energia que movimenta o encontro mais incapaz de todos, como o da raposa e o coelho, como o do Sol e a Lua… o mais curioso, dual, questionador e motivador para os que podem experimentar por alguns instantes o que é viver e morrer… sem que eles sequer se encontrem!

A Troca!

Leia e Sinta! ❤️

seria total e sem nenhuma justificativa, a mudança causa dores, ou as dores podem também ocasionar em mudanças… sérias, severas, e às vezes, por que sim, boas… boas mudanças… a soltura daquela pele que estava já tão grossa como uma casca, quebradiça e seca, criou marcas profundas naquele ser, e seria assim com qualquer espécie disposta a continuar sua caminhada até o encontro genial, criado por alguma mente bizarra que coloca tudo o que imaginamos saber em uma enorme panela de qualquer coisa misturada, e que dá um bom sabor! …e como bom mineiro que ele era, sabia que o sabor vinha dos temperos! Pegaram a ideia? por que toda mudança pode ser boa sim, e a troca, enfim, não é para preferir uma ou outra, ela vai acontecer, e curiosamente, pode-se escolher as duas…

mais um pequeno fim!

Deu risadas e começou com maiúscula dessa vez… ele tentava insistentemente escrever aquele roteiro sobre um jogo o qual adorava a ideia, apesar dessa não engrenar em uma rotina até estar ou ficar pronto, segundo o próprio autor… isso por que é a vida, segundo o tempo linear que entendemos em nossas limitações… as diferenças são incríveis, e é mais ainda quando você pode sentir a energia, dominar esse sentimento, e devolver de forma grata, antes que se exploda e mande tudo para a poutaqueopareooo!!! Mais risadas…

são sempre duas batidas, fortes, fixadas, empurrando a mente, uma cadência ritmada e criativa… “agora…” ele estava escrevendo novamente… “engrenar seria o ato…” … dessa vez Disciplina apareceu tímida, um pouco apagada. Estava sentada em “lótus” e as mãos cruzadas e postadas próximas aos joelhos. Girava a cabeça para focar apertando seus olhinhos… e quando fechava, sentia e via a “Inspiração”… “Dessa vez, você não me escapa!” falou baixinho para si e com um mortal no ar (?!) caiu em frente aquela forma linda, coloridaça, irrequieta e oscilante…

“Você realmente mexe com a gente, né?!” perguntou Disciplina, toda regular, certeira, lindíssima de se ver, principalmente por conta de seu resultado eficiente e muitas vezes satisfatório… Inspiração sorriu e deu um salto no ar, agitando seu corpo como se estivesse carregando aquelas fitas que as ginastas de estilo rítmico usam em suas apresentações, só que mais grossas, e também pareciam que eram seus… cabelos!!! As cores brilhavam sobre um tom roxo ou azul escuro, e ela soltou uma voz tão sublime, tão macia e flutuante quanto sua própria aparência… Disciplina arregalou os olhos e disse: “_ Você é linda mesmo!”… e com aquele leve sorriso, e uma “indisciplina” para manter um roteiro linear, uma escrita gramatical aceita, uma linha de pensamento coerente, Disciplina e Inspiração formavam a dupla perfeita, o casal dos casais, o verdadeiro entusiasmo de curtir existir…

é melhor procurarem entendimentos e conexões com o que leem aqui, vai facilitar a comunicação, ele escreveu a última linha daquele conto desatinado pela amarração e vontade dessas duas manifestações… Sara estava rindo à toa, ele também estava, ela o tocou nos ombros e foi muito gostoso sentir aquilo… não lhe roubara a energia, nem a paz, nem o momento ou o sossego, muito pelo contrário, fortaleceu, pressionou com vontade e criou com intensidade, Disciplina iria impor a rotina, e a Inspiração a leveza… o casamento estava marcado, hora de por em prática…

“Próximo Nível…”

“subiu de level, cara!”… aquela vozinha que fala dentro de nossas cabeças conosco mesmo, e que algumas vezes pensamos se somos nós conversando com quem… se somos… só nós… já pensaram se foram abduzidos ou, “incorporados?!”… é quando tem esse trem de um espírito te possuir, seu corpo, sua carne… enfim… a brisa foi longe agora, volta pro foco, o surf, cara… é o surf!

sabe quando pensamos a vida inteira sobre uma certa atividade e essa está ali te rodeando e te rodeando, e algumas vezes você sente o rosto ficar ardido pelos tapas que vai levando dos acontecimentos desenrolados diante de seus próprios olhos; e ele, lembram, aquele nosso amigo tão sabido, nem era tanto assim como as pessoas imaginavam, ele sabia que não sabia de nada, e aquilo o motivava a querer mais… a água estava sempre forte, e ele gostava de interagir com o mar… quebrava ondas, furava ondas, pulava ondas… mas não pegava as ondas…

a sensação de realização tem um valor imensurável em nível de existência terrena, ou o que importa, quanto mais atividades satisfatórias e desafiadoras ao nosso gosto, nos colocarmos a prova, mais intenso será a sensação vivida… a adrenalina vai subir, e a alegria vem junto com uma força imensa, quase palpável, do jeito que ele gosta… viveu por um tempo com surfistas em uma casa no Hawaii e foi uma loucura danada, entender que por trás de algo que parecia tão simples quanto andar de bicicleta, uma vez aprendido, jamais esquecido, tantas técnicas, habilidades físicas, conhecimentos de ventos, direções, picos, ondas, areia, movimentos, tanto de seu corpo, da conexão integral com a prancha, e claro, a água…

pediu licença para a “mamãe”, afinal de contas é uma casa, senão a de mais respeito, uma das… e adentrou na água sentindo algo que lhe era muito familiar… não sabia se era de tanto olhar, de tanto viver essa proximidade, de uma vez ter visto um filme e constatar que seu estilo de surf, deverá ser uma conexão com a mãe das naturezas, a maior das forças viscerais, poderia juntar nesse conto os sentimentos presenciais de Sara, as elucubrações psicodélicas dos relacionamentos que ele se propõe, uma escrita inerente com o próprio oceano…

a voz dentro da cabeça voltou a falar… “nascemos dentro de um líquido, e muita parte dele é água, como o mar…” ele sorriu tão gostoso depois de vários tombos, e sentiu algo novo, o lápis sempre foi sua extensão, dirigir se tornou tão natural quanto respirar… a junção com o mar, tão esperada….

aconteceu… =D

A Grafia dos Envolvimentos…

sabia que havia sonhado… a lembrança daquela cena era turva, escura, difícil de visualizar… poucos frames mostravam uma pessoa, uma tela enorme pintada também com um retrato de uma pessoa de corpo inteiro, e pela intensidade dos brilhos que saíam dessa tela, dava para perceber que era bastante colorido… se isso representava ou representaria alguma coisa, deixou Sara com curiosidade… o gatinho apareceu ronronando e se entrelaçando por suas pernas… ela se questionava como “artista”… haviam alguns anos passados e Sara aprendia a viver sozinha, e às vezes socialmente, porém, seus sentimentos se manifestavam agora com mais cadência, ela conhecera um sentimento que podia ser considerado mais uma prática… o desenho perfeito, de formas geométricas e fluidas, apresentava suas linhas de construção exibindo o processo criativo e ritmado da pessoa que o criou, ou que o manifestou, melhor dizendo… Sara conhecia a Disciplina…

“_ Hoje é um dia de conversas sérias, pelo visto…”… Sara usava uma calça de moletom folgada nas pernas e uma regatinha cor de rosa… sua inseparável toca de crochê compunha seu visual descolado… encontrava-se sentada de frente para a Disciplina que vez ou outra aparecia com cabelos escuros e longos, dançando em um vento que não existia, outra ora aparecia esbelta com uma cintura muito fina e um olhar cravado em Foco… outro sentimento, ou sensação, ou vai saber o que é né, Sara também não sabia, no entanto entrava nessa discussão um tanto acalorada sobre “ter” e “usar” Disciplina de vez em quando na vida, para algum tipo de entendimento e de satisfação por algo cumprido…

quantos sonhos iremos realizar ao longo da caminhada, essa seria uma outra pergunta caso tivesse o ponto de interrogação no final da frase, independente disso, sem pensar muito sobre, vai acontecer invariavelmente algumas vezes, e se estiver prestando atenção, concentrado e vivendo no presente “Agora”, podia escolher ser ou fazer como quiser, e portanto, quando havia Disciplina, essa trazia um método muitas vezes confundido com o militarismo rígido, só que de nada tinha essa característica… Disciplina e Alegria se davam super bem, trabalhavam juntos com tanto gosto que podia-se vê-los dançando em seus corpos ilustrados mudando seus formatos, cores e linhas em uma lenta fusão de Satisfação… outro sentimento, sensação ou emoção que surgia quando Sara entendia o que realizara de bom para si, e muitas vezes para outros em parceria também… Eram “monstros” mais “perfeitos”, ou mais…. “engrenados”…

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