Questione-se

_Por que tô fazendo tudo isso?”…

Usa a mente em pausa, não deixa ela mentir, te enganar que você está passando por isso por conta de algo que você nem imagina um por que… Já pensou que nem mesmo seu nome foi escolha sua, que porra é essa que querem que acreditemos que isso tem algum significado ou não… Não tem mesmo! Números que se igualam a letras e decifram enigmas que são montados por seres humanos a que motivo, para que, como fomos escolher isso ao invés daquilo?! E o mais hipócrita é imaginar que as coisas não tem haver com as outras, que tudo está separado, por rótulos, títulos, marcas, que não são nada, o real não tem nenhum significado, a não ser o pessoal, o valor que foi imposto socialmente e que foi conduzido pela própria massa cega… Fazemos, compramos, seguimos, o que quer que quem seja nos obriga a fazer… Ouvi dizer que um cachorro nao segue a noção de tempo, ele só dorme, brinca, corre, come, caga, faz o que faz um cachorro, no tempo de um cachorro, ou seja sem preocupação com dias, horas, o calendário… E depois que morre, não acaba por que ele viveu o que tinha que ter vivido e vou te falar, muito felizes do ponto de vista social capitalista criado por burgueses da classe media…

E dai a pergunta, Você vive a “sua” vida?! Ou a expectativa para outros? Você é de verdade, ou vive de aparência?! Ninguém sabe a fórmula mas pode ter certeza, pelas histórias e notícias que vemos, pela bizarra colocação que só aprendemos com erros e sofrimentos, pela forma conformada que se aceita isso; dá pra ser bom sim, dá pra ser só de coisas boas, experiências ricas, é só escolher diferente, sair da tal zona de conforto, parar de viver nos seriados da Netflix, Globo e Youtube, e ir para a rua para ver o que tá acontecendo, se questionar, olhar para todos os lugares e pessoas e perceber que ninguém tá perguntando por que, só tão simplesmente “vivendo” falando de sobreviver ao invés de agir mesmo… Vai doer, mas depois da dor, eu te prometo, é só prazer!

Na Ilha das Bruxas-Sereias

Existia uma leve brisa no ar quando Buk acordou. Ele sentiu uma pontada forte na cabeça e tinha escoriações por todo o corpo. Estava deitado com o rosto sobre algumas pedrinhas dentro de uma “caverna” de onde podia-se ver a praia. Sentia-se zonzo e sua visão inteira estava turva. Lançou as mãos no rosto e ficou aliviado de sentir seus preciosos óculos. Ufa! E agora onde estou? Procurou a sua volta e não viu o navio do Principal Comando da Nação e nenhum dos tripulantes muito menos o Capitão. Onde estarão todos? O jovem se pôs em pé e sentiu uma explosão forte na mente e suas memórias vieram à tona. Recordou do momento exato do ataque e de quando a bruxa-sereia havia impedido a sua morte. Não encoste nele! Ela gritou para uma outra que era maior e mais encorpada, mas que não reagiu, apenas deu um guincho como uma fera amarga. Depois olhou dentro dos olhos dele e passou a língua na ponta de seu nariz. Você é meu! E com um sorriso maligno pulou de volta para o mar puxando o braço de Buk, que sem resistência apenas gritou desesperado que não sabia mergulhar.

Debaixo d’água ele viu aquele monstro fazer seu primeiro truque para mantê-lo vivo. A sereia soprou uma bolha que que foi crescendo até cobrir a cabeça dele. Então podia respirar na água como os peixes e ela aumentou o puxão deixando os dois bem próximos. Agarrou-o pela cintura e afundou a toda velocidade. Muito metros abaixo e ele não conseguiu mais distinguir as próximas cenas, como se milhões de bolhinhas invadissem seus olhos. Assim ele percebeu que estava sem a proteção da bolha e ficou desesperado. Começou a engasgar e a tossir água e já não podia sentir nada, seu cérebro foi apagando e ele foi desligando.

Ela está aqui! Buk ficou aflito e seu corpo ficou alerta. A barriga também doía, ele não tinha ideia se havia quebrado algum osso, mas as dores nos músculos pinchavam e ele podia sentir a cada momento em um lugar do corpo. Não havia nada que pudesse pegar para se defender a não ser algumas pedras. Não vou atirar pedras nela, vai ser ridículo! Ele pensou na cena e balançou a cabeça. Também não tinha nada que pudesse carregar como provisão, estava apenas com a roupa do corpo e não usava mais sapatos. É não vai ser fácil, mas preciso sair dessa! Cabaleante ele deu uma volta pela caverna, não vou me aprofundar, vai que elas estão escondidas ai dentro, ou se tem algum monstro pior. Vou dar o fora daqui! Falando sozinho Buk se arrastou até a praia lutando contra seu corpo, ele estava bastante fraco. Caiu na beira mar apoiando sobre as mãos. Fechou um punhado de areia numa delas e buscou lá no fundo do peito um grito choroso e angustiado.

Olhando para trás viu a abertura da caverna, era ampla e não parecia tão profunda. Notou que a ilha também não parecia grande, toda entrecortada com poucas árvores saindo das pedras, essas sim grandes e de diversos formatos, criando um relevo que parecia ter difícil acesso. Será que alguém sobreviveu? Ele se indagou pensando nos tripulantes e no capitão do navio de novo. Tinha sorte de estar vivo ainda. Depois de presenciar um segundo ataque, ele podia-se dizer um cara afortunado em certas circunstâncias. Outra vez de pé resolveu dar uma volta pela ilha, precisava achar comida, água e um jeito de sair dali.

Não havia nenhum destroço de navio pela praia, e ao longe ouvia o barulho de pássaros. Caminhou por um tempo até ver uma ilhota feita somente de pedras a uns 100 metros para dentro do mar. Dá para ir a pé até lá, ele pensou quando reparou que havia alguém sentado em uma pedra mais escarpada. Parecia estar penteando os cabelos e não se via abaixo do quadril. Uma mulher, sozinha! Admirado ele correu gritando e agitando seus braços quando percebeu que aquela não era uma mulher qualquer, e dai foi tarde demais. Ela virou-se e deu um largo sorriso.

Finalmente você acordou. Por sua causa fiz muitas loucuras meu menino. Segurou o rosto dele entre as mãos. Ele estava paralisado pela beleza dela, sem nenhuma expressão no rosto. Apenas impressionado. Ela falava sem parar, contando para ele todo o caso até então. Por que não me matou? Entre risadas ela disse que ele não serviria de comida pois era muito magrelo, não serviria como escravo para seus apetites carnais pois notava-se que não tinha experiência alguma com mulheres, e também não seria um “protetor” muito útil, não tinha tamanho e não parecia ter força suficiente para um combate. Você é um bibelô, ela disse. Vou te guardar para mim, até você crescer e eu poder me utilizar de seu corpo. Horrorizado ele indagou, mas vocês não devoram os homens? Mais risadas e ela explicou mais alguns detalhes do ataque. Nem sempre comemos, sabemos que vocês nos podem nos ser pertinentes de outras maneiras também.

No entanto meu jovem bibelô, eu briguei com as minhas irmãs por sua causa. Serena queria abrir sua barriga e engolir suas entranhas. Mathilde queria usar seu cérebro nas nossas poções mágicas. Não pude deixar isso acontecer, consegui convencê-las de sua importância aos nossos planos. Eu quero você para ser meu escravo, você irá atrair outros homens para nós. Não podemos nos colocar em mais perigo, os seus nos caçaram  tanto e nossa espécie precisa se recuperar. Não concebemos normalmente, precisamos da semente do macho de sua espécie para gerar nossas crias híbridas. Os de nossa espécie são como peixes selvagens e só servem para uma boa contenda. Não queremos filhos peixes! Ela terminou sua explanação e Buk estava atordoado com tudo aquilo.

Um segundo grito é viver num filme…

“Sem se importar” deveria ser sua própria regra cara! Põe pra fora suas preocupações e suas lamúrias diárias, e depois de desopilar tudo, perceba, é com você mesmo. Tudo aquilo que você condena e está em uma grande batalha para se fazer melhorar como ser humano aqui e agora.

As histórias passadas, as experiências adquiridas, todo um conhecimento para saber como se portar em convívio social, independente de qualquer variável que tenha. Ir além da apatia e do conformismo e entendendo seus limites físicos e mentais, tendo também então mais entendimento com o que se pode ou não fazer e aceitar. Sempre socialmente falando. E daí que vem as regras, as leis que você segue sem questionar ou sem procurar entender tantos porquês. E não questionar é irritante, mesmo!

Pelo cinema essa questão é tão clara e subjugada que todo mundo acha o máximo o super-herói salvar o mundo ou o casal que brigou o filme inteiro, mas que foram felizes ficando juntos no final. Sabendo que jamais irão viver tais aventuras, vivem nas idealizações hollywoodianas, de tudo ser sempre perfeito, no entanto, é sempre no futuro, nunca no agora. Um futuro que é igual para todos, conheço pessoas que compram seus jazigos bem antes de morrer.

Aliás chega-se aqui ao ponto que me perturba muito, pois vejo que me atrapalha buscar por respostas claras. Por mais ideias que existam por ai, não existe um consenso comprovado do que é “viver a vida”. Acordar com alarmes, sair cedo para trabalhar, trabalhar em algo que nem sabe se gosta, ou pior, que se faz de forma mecânica. Comer no automático, ir ao banheiro da mesma forma. Comprar coisas que não se usa, principalmente roupas, e olhar pra um armário lotado e escolher sempre o mesmo “uniforme”. Utilizar um transporte público que não funciona direito e ai sim você pode dizer que “sobreviveu a uma peripécia” em sua vida, afinal com tantos acidentes e problemas nas ruas, usar o carro ou o metrô em cidades grandes é quase comparável ao trajeto do Frodo em O Senhor dos Anéis. E ao voltarmos pra casa, nos jogamos no sofá em frente a TV e sumimos. Não tem boa noite, não tem afagos de amores, não tem uma janta feita com carinho. É bem triste e não conseguimos definir “vida”. Parabéns as ovelhinhas!

Basicão #1

Desde a infância brincava com bonecos feitos de papel. Inventava mil jogos, montava times inteiros de futebol e voleibol. Criava personagens de luta-livre como aqueles em que eu assistia na TV, e carros de corrida para sonhar que um dia poderia correr como o Senna! Também produzia monstros diferentes, animais selvagens e super heróis coloridos, tudo só com uma folha de papel, canetinha e tesoura. Passava horas e horas elaborando as histórias e tinha um baú cheio de papéis cortados nos mais variados formatos. Eu gosto muito de origami, mas o papercraft me empolga mais, pensar em que tipo de geometria tem que fazer para encaixar as peças e montar um castelo, uma montanha, uma baleia.

A partir dessa ideia criei para vocês o “Basicão #1”, para que possam pirar a vontade dentro de uma peça retangular simples. Se for inventivo dá pra ter acessórios, variar nos formatos de pés e mãos, colocar orelhinhas e com um cubo menor até um focinho! Vai da imaginação de cada um, cortem, montem e divirtam-se! =)

Na Estrada…

Não é a questão de “gostar” de ser vagabundo. Acredito que minha mãe não teria orgulho de ver seu único filho homem ser um escroque, um andarilho pedinte pela vida. Também vivemos tempos bem diferentes daqueles em que vagabundos eram glamourizados em livros e filmes, com suas histórias de aventuras, de viagens clandestinas em trens por paisagens bucólicas, de mendicância pelos bairros burgueses das cidades grandes. Fora as suas próprias condutas morais, consigo, dentro de sua cabeça, um lugar que não pode fugir ou se esconder, então terá que enfrentar a vergonha, a humilhação, a desconfiança e a avareza das pessoas. E descobre aos poucos que quem mais ajuda o outro, que segue aquelas palavras religiosas de compaixão e caridade, são os pobres, os que na maioria das vezes não tem nem para si próprio, contudo repartem de bom coração aquela pouca comida guardada em marmitas de isopor.

Independe das escolhas, a instituição já engoliu o ser humano, é mais forte e brilha como um pote de ouro no fim do arco-íris. A ilusão de que todos poderão tocar aquele tesouro, possuir coisas, supondo que isso seja a razão do sucesso de alguns, fazem esse sistema encher sua barriga de sentimentos falsos, de pessoas que passam por cima das outras pelos bens que possuem, colocando o ser humano numa escala perto da barata, um ser rastejante e nojento, sem apreço nenhum de ninguém. Algo ambíguo, pois tanto um mendigo quanto um milionário podem cruzar olhares e por suas histórias, suas personalidades, descobrem que são da mesma espécie, sendo que a barata rica, simplesmente atropela a barata pobre e segue seu caminho cego pela materialidade das coisas.

A opção por não querer trabalhar na rotina e viver uma vida mais “leve”, sem as obrigações que foram impostas por essa sociedade, levam a tantos caminhos possíveis como para quem estudou e se formou advogado por exemplo. O problema é o preconceito e a falta de compaixão, em ouvir e crer nos eventos que seriam fantásticos demais, caso não pudessem ser comprovados. No meu exemplo era difícil fazer as pessoas entenderem minhas escolhas presentes e que eu já havia sido um professor “coxinha” na capital paulista. E as pessoas te olham perguntando “por que largou uma carreira teoricamente estável, uma mulher linda e amável, bens materiais que muitos batalham a vida para ter”, para se tornar um mendigo louco, um andarilho que fala sozinho e resmunga para os lados balançando a cabeça e os braços.

Muitos me vêem assim, outros como um cara que largou tudo e agora é “hippie” (em pleno século XXI, não tenho nem tempo pra isso, com todo respeito a esse movimento de contracultura), outros me vêem ainda como aquele que fui a quase 5 anos atrás, esse professor em uma grande faculdade, com valores que hoje para mim são deturpados. Eu seguia a massa como a maioria faz. De bom mesmo sobrou a vontade de trocar, de lecionar, de pesquisar e continuar aprendendo. Desde então não exerci uma profissão assinada pela constituição nacional. Gosto de ser artista, de produzir meu próprio trabalho, todavia detesto a pressão de ter que provar o tempo inteiro que sou bom nisso ou naquilo, competir o tempo inteiro e subir ao topo de um rank que é tão falso quanto o “feliz natal” nas noites de 24 de dezembro.

E apesar de não ter o glamour do passado, de tempos mais pesados e mais preconceituosos, ainda assim prefiro sair pra rua e curtir uma praia sem saber qual a aventura do dia, do que estar lá dentro daquele escritório trancado debaixo de um ar gelado como os olhares das pessoas, criando coisas que são inúteis, e que apoiam outras criações inuteis, fazendo todos acreditarem que necessitam daquilo para serem melhores e mais felizes. Sinto muito, não precisam não, apesar da escolha ser pessoal, uma coisa que aprendi nesses tempos de “vagabundagem”, é que independente de onde nascemos e como vivemos, iremos para o mesmo lugar do mendigo louco e teremos que dormir eternamente do lado de pessoas que você tem tanto preconceito hoje.

Alegria!

Você sempre ouve conselhos do tipo que “aprendemos mais com os erros”, “não há vida só de prazer”, “você tem que se acostumar a sofrer, ou a trabalhar”, coisas assim. É parecido quando você está absorto em um filme, perdido na ideia clássica de princípio, meio e fim. Sendo que no meio acontecem os ápices dos problemas, que em teoria irão se resolver no fim. A dificuldade de transportar isso para a vida real é que às vezes não dá tempo, não há sobra para o fim, e sei lá, não quero ter 85 anos e olhar pra trás e pensar, caralho, o que foi que fiz. O terapeuta deu duas batidinhas com a caneta em sua prancheta e Sara abaixou os olhos. Me desculpe, falo muito palavrão né. Aliás falo demais. Ele sorriu sincero. Você me procurou Sara, você tem algum motivo para estar aqui, precisando de algo, mesmo que seja só desabafar, certo? Ele perguntou mantendo o sorriso tranquilo.

Sem os pais a garota perdeu mais que fisicamente duas pessoas importantes para sua vida. Ela passou a não entender as necessidades impostas pela sociedade, por que os viu morrerem ser ter tido tempo de realizar seus sonhos, aqueles que eles viviam planejando fazer quando Sara estivesse pronta para enfrentar o mundo. Teve exemplos próximos de comportamentos bizarros, conversas falsas, fofocas entre parentes, apontamentos e afastamentos de indivíduos e amigos que ela julgava serem pessoas de bem. Infelizmente não eram. Cresceram os olhos pra cima dela, tiveram atitudes que a fizeram se sentir muito mal, e a terapia lhe dava força para continuar sua vida até estar pronta para partir em sua viagem.

Depois de uma hora e encerrada a sessão Sara tomou coragem e chamou seu terapeuta para um café. E apesar de ser anti ético segundo os moldes sociais, ela ainda iria discutir muito sobre esse assunto que virava e mexia, voltava a incomodá-la. Pelo fato de todos sermos farinha do mesmo saco, por que diabos é tão difícil viver sem competir, sem brigar, sem querer mais que o outro. Ele foi. Com algumas ressalvas. Sentaram em uma mesa do lado de fora em um lugar tipo uma varanda, e ali beberam e continuaram a conversar. A terapia sempre o seguia, mesmo que tentasse ter uma conversa informal sobre o tempo que fosse, acabava virando alguma neurose alheia.

Contudo a menina conseguiu quebrar o gelo e depois de um gole de um frappuccino docinho, não havia mais terapeuta e cliente, se tornaram conhecidos, e agora não era só mais uma questão moral, ultrapassaram todos os limites e se beijaram lentamente.

Nesse dia uma nova manifestação surgiu para Sara, depois de tantos monstros estranhos, exteriorizações horripilantes, algumas que ela nem conseguia distinguir, surgiu uma nova aberração. Ela ficou um tanto curiosa pois não ficou com medo ou nada assim, essa criatura que interagiu com Sara a fez ficar tranquila, rindo a toa, com boas lembranças daquela tarde. Alegria parecia com um coelhinho preto e um coração enorme.

Se fizer, faça com prazer…

Primeiro é o medo contra a crítica, ou não saber se vai conseguir lidar ou não com os críticos… Sempre têm mais deles por ai para criticarem aqueles que tão fazendo alguma coisa. Segundo é por que você tá querendo fazer o que tá querendo fazer, o que te motiva ao que vai fazer, e se vai te dar mais trabalho que prazer, dai então, numa boa, não sei não se não deve ser feito. O lance é criar algo que te dê alegria e que toda vez que for fazer, vai fazer por esse jubilo, e não por tornar-se uma obrigação para agradar x ou y, brasileiros ou americanos. As coisas geralmente dão certo se você sabe o que isso significa, se não for apenas mais um conceito social; então elas dão certo pra que você se sinta realizado, criando algo considerável que ajude a sua comunidade, ou seus comuns, aqueles próximos de alguma forma, seja confortando, acalentando, não importa, o que fizer faça com muito, muito prazer, e que isso se torne um deleite a outros também. Que seja tão bom e satisfatório como um sexo profundo feito a dois… ou mais.

Sotaques

Ela era um pouco mais alta que ele, aquele estilo de morena jambo com os cabelos bem pretos e a pele brilhante. Tinha os traços marcantes, apesar que não sei te pontuar quando uma beleza é diferente. Ela era uma menina nas suas curiosidades e receios, e um mulherão lindo que ali parecia saber de sua força sensual, no poder de seu sotaque espanhol. Tinham amigos em comum, a aproximação entre eles foi natural e de repente ficaram grudados a noite inteira, sentados primeiro lado a lado e depois de frente um para o outro naquela calçada. Se olhavam e se perdiam em suas conexões. Risadas acompanhadas de interesses iguais fizeram aquela noite durar mais, expressões em línguas diferentes, duvidas trocadas com carinho, e por ele poderia ter durado mais ainda. Apesar das amizades, de ser muito bom conhecer tantas pessoas diferentes, você vai encontrar pessoas que vão te hipnotizar pelo caminho. Parece que nada ao redor importa, nem o local onde estão, se tem pessoas ou não, nem se não falam o mesmo idioma, tudo desaparece, só importa aquela afinidade. O assunto, o jeito da pessoa, às vezes é na descontração e não o visual, às vezes é em como se responde uma pergunta com interesse. Tem gente que se torna gentil querendo atender a vontade alheia, tudo para estender aquele instante, fazê-lo mágico e único. O problema, se é que existia, era para ele. Você pode ser gente boa com qualquer pessoa, sempre haverá interesses. Mesmo que no início seja amizade, é a forma como se entrega à ocasião que nos diz se vamos nos relacionar além ou não. Os detalhes que são fornecidos conforme a sequência daquele papo descontraído seguia mostrou para os dois os limites, ele percebe que ela é comprometida e fica um tanto triste, pois aquela entrega, dos dois lados, havia muita energia, havia uma vontade comum. 7 bilhões de pessoas, tantos e tantos amores. Ele conhecia o jovem namorado dela, um cara gente boa que tocava um violão fino numa esquina de um supermercado no litoral. Os dois viajavam juntos havia 4 meses, saíram do país vizinho, e se aventuravam pelo Brasil. Depois de uma carona divertida para o carnaval carioca, a casualidade colocou-os no mesmo lugar. Ela lhe tocou a perna pedindo um trago do cigarro. Como fazemos pra trocar contatos? Ela tinha um sorriso lindo no rosto e disse pra ele lhe procurar em uma rede social dessas que viajantes usam muito. Foi um encontro bem rápido, ela estava acompanhada e de saída. E no momento de partir, ao se despedirem, se abraçaram tão forte que ele pode sentir a maciez de seus seios, o cheiro doce de seus cabelos e em seus ouvidos a expressão “un gustaço!”

Início ou Fim…

Nunca sei se é o impacto de não sabermos o que esperar, nem o que vai acontecer, e muito menos “conhecer” em noites como aquelas… Ela chegou trazendo algumas cervejas e nos convidou a tomar. A casa não tinha um tapete e todos se reuniram em volta daquela caixa de verdura que fazia vezes de mesa de centro. Acenderam cigarros e dois baseados. Ele estava recostado num pufe que dava de frente para o pequeno corredor de entrada do apartamento de sua amiga. Havia mais dois outros amigos e mais uma terceira amiga, éramos em seis então. Ela me viu e entrou tímida, com um leve sorriso e se apresentou. Deus que mulher bonita. Estava com seus vinte seis anos e tinha uma pele tão lisa e firme por sua magreza, e aquela cor entre branca e queimada de sol… Olhei para ela por muitas vezes durante a noite. Em alguns momentos senti o olhar dela sobre mim, ela sorria, dançava leve, provocando contudo sem ser vulgar. Não precisava, seu corpo esguio balançava feito cobra e meus olhos acompanhavam seus movimentos e eu também sorria para ela. Quando sabemos o que pode acontecer, senão apenas viver esses momentos e torcer para ter a sacada certa e levar essa gata linda para cama. É o que ela quer? Hoje me pergunto o tempo inteiro sobre os interesses das pessoas, pois é assim que nos conectamos, eu me interessei em conhecer aquela garota pelo seu visual, pelo seu sorriso, pelo seu papo, pela sua desenvoltura, por sua timidez não contida, por ter atitude de mudar por algo que nem sabe o que, e ela me disse, sem muita firmeza, que tinha um namorado… Aqui você pode pensar, começa ou termina um novo ciclo de amor?!

Encontros rápidos e casuais

Encontrei com essa garota cheia de tranças coloridas na cabeça num pequeno túnel onde um saxofonista fazia um belo som. Ela estava encostada na parede, olhava perdida a música, olhava perdida o tudo… Sentamos um do lado do outro após ela rodear um tempo. Visivelmente maluca, não entendi em que momento ela estava na terra ou em algum outro sistema planetário… E às vezes ela soltava um sorriso enorme, arregalava os olhos e a gente conseguia se entender. Disse não fumar maconha, mesmo assim com um jeitão de chapada, como uma criança ingênua, dessas que fazem amizades com qualquer um no parquinho, ficou ali conversando comigo, dizendo esperar por alguém, ou por alguma coisa que pudesse acontecer, mas sem se preocupar, simplesmente levando. Se fôssemos mais assim, teríamos mais sorrisos sinceros e amizades puras como as infantis, como o sorriso da garota de trancinhas coloridas.

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