Mais uma história de amor

elasempreela

Quando saiu de casa não sabia e muito menos esperava o que ia encontrar. Estava vivendo aleatoriedade da vida, escolhendo quando podia, sempre o mais simples possível. Porém quando se trata de amor, se trata de entrega. Quantas vezes forem precisas, quantas vezes você vai sentir com intensidades diferentes, para quantas pessoas essa transmissão de energia pura, e quantas, realmente para quantas dessas pessoas você vai poder dizer, crendo no seu próprio sentimento.

Somos títulos e rótulos ou somos a prática?!

Falando sobre a experiência. Agir com emoção. Quando se pensa nesse ser racional, o vínculo inicial começa no rótulo. Dependendo da área (em relação a trabalho) são os títulos. E gostam tanto disso que nomeiam quem não está no meio de “hippie”.

Já fizeram “filtro do sonho”? Amarrar os barbantes coloridos é uma verdadeira aula de matemática. Empírica. Uma palavra linda que significa certo nível de imersão. No meu caso, artístico e antropológico. Nomes. Como comunicar sem nomear? Por que o título (seja ele acadêmico também) é tão importante para uma peça encaixada em um tipo de sistema (não questiono ou melhor, não “ranqueando” melhor ou pior), porém aquele que domina, incluindo os que se imaginam livres.

Experimentar tantas artes diferentes, mesclar as ideias em uma plataforma que existe em todos os mais variados meios de expressão/comunicação. Do que vocês tem medo? Como podem refutar um processo artístico empírico (adoro!). Vai contra o que entendo pelos senhores do saber. Professores são pessoas que vivem em um mecanismo único e pessoal. Cada um tem seu valor pessoal. Seu próprio corpo e sentido. Nesse caso tanto o que nos faz rir, quanto os arrepios dos pelos nos braços. São pesquisadores de ideias. Velhas, as de hoje e as que virão. Alguém precisa de quanto tempo para entender que não importa “quem”, ou “onde”, mas o que ele faz e se isso é bom para si ou para o próximo, uma comunidade total.

Dois caras eram plantadores. Um colhia tomates e o outro beterrabas. Se achassem alguém que plantasse cebolas, teriam uma bela salada. Tomates não se importam em ser outra coisa. Aliás não sabem, humildemente creio, que são o que são. Quem somos nós?

Sem Sentido…

Se fazia algum sentido os dois estarem ali depois de tanto tempo… Nenhum deles sabia, porém isso pouco importava. Contavam seus pequenos dramas, as aventuras que não estabeleceram entre si. Um de cada lado, suas pontes ligando cada lado do rio, e cada rio ficava num lugar diferente. Os sentimentos que eram compartilhados estavam sendo utilizados por outros. Pessoas contando histórias iguais, em que eram personagens diferentes. Ela estava gostando de outro, sofria por outro, alguém que ele não conhecia. Ela o largou sentado em uma mesa à noite, sozinho na cozinha. Conversou discretamente através de mensagens pelo celular e inventou qualquer história para seguir sua vida. Sem ele. Ela havia vivido. E ele foi viajar…

A Imperatriz

Quando aquele jovem maltrapilho atravessou os grandes portões de ouro daquele lugar, estava assustado com a visão das enormes esculturas e pilastras de apoio todas também em ouro. Ao fundo havia um trono, porém ele podia ver claramente os detalhes daquela peça. Era largo, alto e de um tom amarelo alaranjado, brilhante como uma jóia. Sentada nele estava aquela figura que transmitia sabedoria em seu olhar. Ele foi se aproximando de forma tímida. Ela deixou o escudo que segurava de lado, e colocou o cetro sobre o colo. Havia um sorriso lento em seus lábios, e ela abriu os braços para o Louco.

Ele se aconchegou em seus seios fartos e ficou ali, quieto, recebendo carinho e palavras de ternura e compreensão d´A Imperatriz. E apesar de muito vaidosa, sempre cuidando de sua aparência, com muita elegância repreendeu o andarilho. Em seu discernimento aconselhou o garoto a procurar por algo que ele ainda não conseguia entender, a rotina da vida. Ela desceu o jovem de seu colo e levantou o cetro. Na ponta do mesmo havia uma lua cheia e duas outras luas, uma de cada lado oposto fazendo um desenho de um arco. Eram as luas, a minguante e a crescente que giravam ao olhar estupefato do Louco.

Vou te mostrar os caminhos, a Imperatriz disse fazendo uma pose bem altiva. Ela então girou o objeto sobre a cabeça do Louco e uma névoa foi tomando conta do ambiente. Ali ele pode ver todos os outros elementos das cartas, viu o futuro, porém também viu parte do passado. Compreendeu seus passos e sentiu suas escolhas. Tudo girava rápido em nuvens como poeira cósmica, em tons azulados e lilás. Ainda atraído ouviu as cantigas da Imperatriz, visualizou possibilidades múltiplas de vida. Que ele poderia ajudar mais os outros, fugir menos das responsabilidades, e depois ser parte de uma contribuição maior, poderia viajar mais, até mesmo usando isso para esse momento de compartilhar e aprender. Ela terminou falando que ele poderia ser o que quisesse, fazer o que quisesse, desde que fosse bom para si e para o todo, sempre assim.

A Imperatriz despediu-se do Louco colocando o escudo de volta no braço. Arrumou a postura alongada mostrando a saliência na barriga, ela esperava o irmão dele, e ele chorou de alegria pela notícia.

Amar!

É se desnudar por inteiro mesmo, tirar não só a roupa, mas a pele, a casca, as células. Levar ao extremo da intimidade com todas as limitações e os entendimentos para superarem juntos as mesmas. É se permitir para a prática, desmascarar as teorias, comprová-las mil vezes sim, e daí, se é bom por que não repetir…

Nos dar mais chances, mais possibilidades de outras ideias, sem essa bobagem de “melhor” ou “pior”, “bom” ou “mau”. O que é para um pode ser para outro, mas não necessariamente, por que nas probabilidades infinitas de escolhas que temos, tudo pode ser bom para todos!

Permita-se amar quantas vezes achar que é real, sentir e sim, sofrer dor física por isso, por que dói no peito, no músculo, no coração. Porém quando é sincero, verdadeiro, é só alegria, a dor é uma danação de emoções, intenso e profundo, como uma droga, você vicia, e esse talvez seja um dos poucos vícios bons… amar!

Um dia qualquer…

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Contos experimentais, ilustrações surreais, imagens que o leitor completa com sua imaginação; qual é a história?! Segue aqui…

O ar da praia

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Não significa melhor, nem muito mesmo o que é certo… São apenas escolhas, cada um com a sua, onde se sentir melhor e mais útil, para si e sua comunidade… 😉

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