A Busca

Leia e Sinta! ❤

Lá Fora…

Lá Fora…

pode ser em um bar…

embaixo da lua…

em qualquer rua…

indistinta… e contornada…

Lá Fora…

pode ser depois daquela janela…

só se via o vulto…

estava nua…

e era…

Lá Fora…

pode ser depois de um filme qualquer…

de lavar as louças ou calçar chinelos diferentes…

uma porção de gente…

e ninguém… ao mesmo tempo…

Lá Fora…

era ela…

que ele a viu em linha reta…

não havia desvio…

pode ser naquela cachoeira, depois de uma trilha…

em qualquer lugar que você consiga criar uma história…

Lá Fora…

seus olhares cruzaram e suas vidas eram liames de desejos…

pode ser em uma carona como outras…

pode ser debaixo da janela do quarto de sua mãe…

pode ser agitando uma bandeira…

pode ser entre risadas e abraços…

Lá Fora…

ele só queria escrever sobre o que estava sempre sentido…

dentro de si mesmo, com as dores mais amargas de se ter…

ter…

uma chance de te pedir perdão…

e aí então a carne sossegaria em seu corpo…

O Nome do Personagem…

estávamos naqueles dias em que a maré está agitada, a lua crescendo linda de um lado, com toda mística e sua influência sobre as águas… do outro lado o Sol lutava com um conjunto de nuvens, deixando amarelada as cores por todo o lugar… para completar uma chuva fininha passava deixando o mar mais balançado ainda, e aquelas sensações quando tocavam na pele causavam uma alegria danada, tão gostosa quanto a companhia dela…

ele e ela estavam há horas na água, pulando ondas, mergulhando em seus estouros e dando risadas, enquanto a água os empurrava para cima e para baixo, e também para os lados quando os corpos deles se encontraram e aquela magia toda que sabemos bem como é, acontece… e irá acontecer todas as vezes em que estiver disponível para tal situação… mais risadas!

seria preciso dar nome a ele e a ela?! era uma pergunta inquietante que vinha às vezes na cabeça do autor, visto que era muitas vezes confundido com os personagens de seus contos… cara, lógico que há influências da vida real, são histórias que possuem lugar próprio, mas são… histórias! e nomes são o que né, mais algum tipo de rótulo para facilitar a comunicação, podíamos chamar João e Maria, Paula e Marcelo, Diane ou Paul, José ou Augusta, isso importava mesmo? ele conhecia diversas pessoas que queriam trocar seus primeiros nomes pelos mais variados motivos, além daqueles que buscavam colocar os sobrenomes dos pais que os abandonaram na infância, vai entender os sentimentos de cada um, no entanto, é só uma forma de nos chamarmos…

A “Chata” Rotina…

era assim que ele se sentia, um ser que carregava um caminhão de toneladas em suas costas quando tinha que trocar e-mails com aquela editora… outros amigos e colegas já haviam contado suas histórias e ele ouvia e ainda assim tinha esse delírio de querer publicar por uma editora mesmo… um deles havia sofrido e gasto tanto que resolveu abrir a própria editora para recuperar o dinheiro… bem, publicar por uma editora para ele parecia fazer algum sentido, já que se para um artista o que o fazia ser bem sucedido era estar em galerias de arte, para um escritor, era publicar por uma editora “profissional”… ou assim ele pensava sobre aquela que havia lhe escolhido… coisa mais louca!… ele escreve os “Contos Curtos” há alguns anos, e um belo dia por uma rede social ele recebeu o convite de um editor-chefe (isso parecia importante…) para ele publicar pela sua editora, e que havia gostado muito dos seus contos e que teria satisfação em publicá-los… Cara, imagina né, um sonho para qualquer escritor… só que não!…

a ironia com o atendimento o deixava maluco… ele ficava implicado com aquilo que uma vez apelidou de “poder de porteiro” ou de “ascensorista de elevador”, pessoas que sem o menor por que, fazem às vezes um atendimento implicante ao recebedor, compreenda, ele não tinha nada contra nenhuma pessoa ou profissão (mentira, os 4 anos passados o fez odiar uma pessoa, o ex-presidente, e sentia um alívio danado daquela pessoa horrorosa ter deixado o maior cargo de um país)… enfim, voltando a ideia, ele só não entendia por que algumas pessoas que estão ali para fazer um serviço de atendimento, o faziam com tanto mal gosto, com tanto ódio no coração, com tanta agonia… cara, muda de emprego sabe, mas ficar amolando e atrasando a vida dos outros não é bacana… era isso que ele estava sentindo com aquela editora…

uma tristeza! ele pensou… algo que é para ser lindo, um momento mágico para o autor, que escreveu toda uma obra com todo carinho e dedicação que ele tinha, afinal, é só o que sabe fazer, escrever… às vezes pintava, mas os hobbies não contam para esse momento… porém ser publicado por uma editora que se diz profissional não fazia mais sentido… gastou uma grana, ou melhor, investiu em si, e pensou que teria sido melhor investir em publicidade para alavancar as vendas do livro ou ajudar em alguns lançamentos do livro em cidades específicas… trabalhou para caramba para que ocorresse sua publicação, mas sentiu, que após terminar os investimentos, a editora cagou para ele!… eram tantos autores que ela pré-lançava, parecia uma garimpagem procurando a próxima Clarice Lispector ou Caio Fernando Abreu (e agora né, como vários autores e artistas, somente após a morte parece haver reconhecimento e interesse público)… uma vida que se assemelha aos ciclos de um relógio, que não há saída, sempre rodando e rodando em uma única direção…

Virada…

eram tantos iguais e outros um pouco diferentes, no entanto o sentimento era muito parecido e isso ajudava a confundir mais ainda… o intrigante para ele era como uma data inventada pode criar tanta força socialmente, juntando tribos de todas as espécies em diversos locais do planeta para comemorar o ano novo ocidentalizado… isso o fez pensar brevemente em lugares remotos de pessoas que tem sua própria constituição de vivência, sem sequer imaginar a existência da internet, e pensando que o dia e a noite são circuitos de TV vigiando-os para lhes dar segurança e boas colheitas… enfim, cada um que faça seu ritual…

“A Troca Justa…”

lá ia ele para mais uma ideia louca que vinha em sua mente enquanto se banhava no mar… incrível as sensações deliciosas que a batida das marés provocam em nossos corpos, ativando esses minúsculos trenzinhos que moram e formam a gente… e agradeceu a maior de todas as virtudes, assim ele as chamava, pois era em tese, aquelas que criadas por mentes humanas há tantas existências atrás, que moldaram o planeta de seres caóticos em vida e morte… a Arte, era a primeira dessas virtudes, (era assim que humildemente ele as definia) e ela veio de diversas formas, cores, misturas, aromas e paladares, sons e gestos corporais, versos e caos, linhas retas e manchas abstratas, era como queria, a virtude que criou diversos outros saberes, que dela veio a Comunicação, a Gastronomia e as próprias artes em si, Pintura, Escultura, Música, Dança, Literatura… ela estava conversando com essas outras virtudes maravilhosas, que conduziam a um caminho mais sereno, mais puro e bondoso… Estavam juntas da Arte, a Filosofia, a Ciência e a Religião… cada qual carregava sua característica, sua personificação desenvolvidas pelas mentes mais rudimentares, e que hoje são considerados verdadeiros gênios em épocas seculares…

Arte estava vestida com uma roupa tão indefinida quanto ela mesma, ou melhor, ao invés de indefinida, ela se definia com uma característica Particular, de ser e estar em tudo e com tudo ao mesmo tempo… Filosofia mais centrada usava uma manta suave e lisa de cor branca em seu entorno, cobrindo apenas algumas partes de seu ser… Ciência mais metódica e racional, procurava dentre milhões de invenções e objetos criados, dar um eixo, uma ideia, uma razão para todo o abstracionismo que Arte e Filosofia tinham em suas conversas profundas… Ciência procurava as respostas… e se apoiava muitas vezes na Religião, essa, vinha nua, despida de preconceitos e carregava uma Fé tão grande consigo, algo de uma energia inexplicável para as mentes mundanas, pois não era uma prática em si, se não a própria execução do que é estar fazendo coisas certas no caminho do bem… e se não pudesse ser assim, ela se absteria, não participava e nem opinava, pois para si, provar que toda a Ciência está correta, são situações mágicas… já que a Ciência a procurava justamente quando não conseguia comprovar nada pela lógica ou pelo raciocínio, no entanto, sabia que ali aconteciam coisas que pareciam sem explicação, e que a Religião aplicava a Fé para a conclusão…

“…sobre esse lance do capitalismo, não vejo como um problema assim, afinal, qual seria o método criado para que essas pessoinhas ai viventes fariam seus negócios e acordos, já que fizeram essa burrada de criar tantas regras e leis que cerceiam seus próprios pensamentos e sentimentos, enfim, o que tem trocar uma Ferrari por um copo de água?! vai das motivações e necessidades de cada um que estão participando dessa situação… quem foi que falou que esse copo não vale muito para o dono do carrão, se o que ele tem é sede e não poderá beber a gasolina que dá energia para o veículo mover-se… ele mesmo, ele precisa de energia, se ficar sem comer ou beber, ficará fraco, não se moverá como se estivesse alimentado e satisfeito…” Filosofia discursava bastante enquanto as outras três virtudes de forma atenciosa ouviam pacientes e centradas naquelas ideias… perceberam que as virtudes são todas femininas? apesar do autor ter vindo em um corpo masculino, ficou pensando sobre as qualidades que os “homens héteros” possuem, se é que possuem alguma… e percebeu que não importava quem é que faria aquela troca, ou entenderia a mensagem, por que era sempre ir além, a Arte criou a Comunicação para isso, para que a notícia seguisse entre os povos, para que ao fazerem negócios, qualquer que esses fossem, seriam e teriam…

Pelas Ondas…

ele adorava os banhos de mar pois era naqueles momentos em que a cabeça ia a um milhão e ele tinha que saber, ou pensava, ou mergulhava, ou pensava, ou tomava caldo, ou pensava, ou tomava onda na cara… ou se está presente… ou está na ansiedade temporal… do que já foi e do que virá, e no entanto, nunca se sabe, NUNCA, é sempre no tempo presente em que se está… e se deixa a mente vagar demais, não é tão boa quanto aquelas viagens de estrada com paisagens desérticas gigantescas ou aquelas piras mentais por que bebeu desenfreadamente e soltou um dos “seus Eus” que faz tudo o que ele não faz quando está sóbrio… ou quase…

… segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “estilo de vida é o conjunto de hábitos e costumes que são influenciados, modificados, encorajados ou inibidos pelo prolongado processo de socialização.”… ele leu e pensou na época em que morava em São Paulo (capital) e usava o metrô, que com grades grossas de metal que separavam a forma como as pessoas andavam pelo local… “sigam por aqui gado, sigam por ali gado, é proibido passar por aqui gado, tem que dar a volta”… uma volta enorme e perdida para o pouco tempo de vida que temos………………………

depois de perceber que não havia nenhuma solução para a inquestionável pergunta, ele havia cansado de remar contra a maré, rodar no meio de um capote em uma onda, e forçou as pernas a seguir caminho para fora da água… sentido da vida… ou estilos de vida… encontrou sobre isso em algumas rápidas pesquisas feitas em sites aleatórios pela internet, onde os gurus que “sabem tudo” respondem através dos rótulos sobre a condição inconstante da vida humana… estilo esportista ou estilo de vida de negócios?!… quem é que dita isso, quem pensa e escreve essas leis ou regras, sei lá, é tudo muito “estúpido”… e o mais louco de se pensar é por que praticar sem o menor dos questionamentos… ele olhou para dentro do mar de novo, voltou correndo forçando suas pernas, e quando a onda quebrou, ele mergulhou e sentiu uma massagem forte em seu corpo… água, corrente, bolhas e vida…

Boas Festas?!

os melhores feriados dos quais ele se lembrava em sua vida, era uma criancinha e estava em companhia de sua família… até então ele tinha uma irmã mais velha, uma irmã gêmea, a sua mãe e muito raramente um pai… mesmo assim ele se lembrava das comilanças e das brincadeiras e tudo o mais que engloba essas datas festivas do comércio popular mundial…

de adulto lembrava pouquíssimo dos natais, das páscoas ou afins… e com alguém com quem se relacionava… ele teve uma lembrança de um amigo oculto que foi até legal sim, mas no geral não conseguia lembrar de muita coisa… e houve aqueles em que estava em companhia dos amigos, e esses sim, mesmo ele também lembrando tão pouco, geralmente foram mais divertidos e animados, próximos até em sentimentos de gosto com os que em sua infância havia tido….

o fogo estava determinado a se relacionar com a água, mesmo ela sendo muito vertiginosa, e deixando às vezes muito bem claro sob os domínios de seus sentimentos, que o fogo só a tocaria quando ela quisesse, e assim foi… ele tentou segurar com suas mãos em chamas as mãos molhadas da água, e ela o apagava… ele tentou mais um vez, e mais um vez a chama foi consumida pelo abafo aquoso… “eu queria estar fazendo tal coisa nesse feriado, queria estar com outras pessoas nesse feriado”, ela falava… no entanto, em teoria eles estavam juntos… ela gostava muito dele, a água às vezes desejava o calor delirante do fogo… só que como era fluida e imparável, só seguia e seguia, sem que ninguém pudesse agarrá-la de verdade… já tentou abraçar o oceano?!… o fogo até tentou, queimando em volta para criar espaços que conseguissem represar um pouco de sentimentos honestos… porém, a amizade dessas duas entidades era tão intensa e sincera, que ela sempre apagava o fogo, seja na mente, seja na própria vida… eles não passaram mais nenhum desses feriados juntos, nem sequer tentaram desde então…

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