Pequeno Delírio Noturno

Era em uma lavada de louça, de um gole de água, um arrastar de pés até a esquina, o olhar perdido, o trago no baseado, a vida estava encaixada segundo o sistema, era o que todos queriam, o que todos achavam que era o caminho certo para o sucesso… e ele continuava lá, só observando tamanha loucura e se perguntando… era um carro fazendo uma curva na mesma esquina, um vendedor de iaquisoba chinês apontava o relógio para alguém, um cego com sua bengala acerta a canela de um poste, um respirar malemolente, uma poça de água espessa, e os passos caminhavam lentos, largos, rápidos, atropelados, o que todos achavam que era o caminho certo para o… certo… num jogo de vida, que mais parece um videogame onde temos apenas uma vida e poucas chances de cometer os erros que nem mesmo sabemos que são erros, pensando em nuvens e caramelos, subindo uma escadaria colorida de azulejos portugueses, fotografando com a mente o nada, e um mundo de burburinhos com gente parecendo formiguinhas, e letrinhas caindo e códigos secretos… revistas científicas e artigos jornalísticos colocando novas regras, mudando antigos hábitos, fazendo do azul a nova moda, enquanto o verde era posto de lado, para daqui tantos anos estar lá reinando de novo, e de novo… de novo… de novo…até sumir!

Ah Que Delícia…

… de manhã… O dia começou lindo naquele momento em que aquela turma de amizades só aumentava em números de pessoas interessantes e interessadas em trocar idéias e “mudar seus próprios mundos”… De acordo com seus papos homéricos e filosóficos pautados em orgias de vinhos calorosos, baseados flutuantes, e muitas, mas muitas risadas gostosas!…

Lá estava aquele nosso querido camarada, cercado de pessoas lindas e cheias de histórias ricas; que eram trocadas em profusão, vozes sobre vozes, gargalhadas através dos goles iluminados, colocando seus pontos de vistas sobre os assuntos (alguns sem o entendimento do por que ainda são polêmicos)… e outros que já se foram, assuntos que não nos interessam mais conversar e, por conta disso, o papo fluía tanto, tão bem e tão leve…

Uma cadeira de palha dançante sobre grãos minúsculos de brilhos em algo que parecia um chão, porém não dava para pisar… a sensação era tão macia e lenta… verde e roxo, de mãos em mãos passavam alegria em um lugar aberto, sentados em roda pensando naquele momento, por que as sensações gostosas parecem se iniciar na barriga… e os latidos não existiam, porém era grande aquela família compartilhando com cães e gatos suas visões de mundo, completamente diferente para cada minuto que se vivia, para qualquer espécie que existia…

Você está pisando em uma gelatina, tente descrever essa sensação para mim, ela olhou ele no fundo dos olhos, o cheiro de seu hálito deixava ele com um tesão inexplicável e faziam amor paulatinamente… descreviam rabiscos no horizonte deixando o céu cheio de pontos para aquela brincadeira de ligá-los… e cada pessoa que fazia, escolhia pontos diferentes, e a cada desenho “ligado”, mostrava com clareza, só se ganha tempo se reunindo com pessoas que se gosta, dedicando tempo e atenção, as brincadeiras e aos “causos sérios”, em parágrafos curtos da vida lá fora…

Ilustrações Infinitas…

Dentro da mente como um universo lindo e expansivo, cheinho de pontinhos luminosos conhecidos como estrelas, ou planetinhas… Um montão de ideias, milhões delas, trilhões delas, tantas delas… Junto com os contos, as imaginações tomam formas, as vezes coloridas, as vezes preta e branca, não importa muito… sendo arte… amor!

https://issuu.com/periclesemr/docs/pericles_ilustra__es/a/209486

Ócio Criativo…

E como vai começar agora… essa era ou é uma preocupação real… o papo hoje surge enquanto essas pessoas estavam vivendo suas vidas de forma bem normal, como qualquer um por ai, em todas as cidades, vilas e rocinhas, preocupados com “comer”, “dormir”, e o que fazer para ter isso, já que dependemos tanto dos mercados… e era os que diziam aqueles sentados em seus sofás com linhas modernas em salas apáticas com cores sem graças, luminárias espalhafatosas e quadros clichês da cultura pop para comunicar ao seu próprio mundo pessoal, ai como sou legal!…

Os personagens deveriam prestar mais atenção em suas próprias vidas, e participar nas vidas uns dos outros de tal maneira que somente tenham alegrias em produzir coisas bacanas; e mesmo que fosse o ócio criativo, com papos dispersos sobre qualquer coisa e sobre “os tudos”… fosse o ponto central de todas as histórias de todas as vidas… mas como criar algo, ou uma regra tão sagrada, algo tão absoluto, se é justamente contra essas coisas que aquele carinha ali, coçando sua barba com um lápis preto na mão, olhava disperso para a folha em branco de papel na sua frente, mais uma daquele bloquinho cheinho de rabiscos e rasuras…

Um Conto de Terror Infantil…

E então encontramos aquela garota ruiva que deveria ter por volta de seus doze anos, usando um vestido esfarrapado e sujo, com o olhar paralisado após ter corrido um montão por dentro daquela floresta espessa e melindrosa… ela estava parada de frente para um despenhadeiro, um filete de água caia formando uma cachoeira enorme, ela não tinha noção de que tamanho era aquele fiosinho prateado, a não ser que era muito muito longo para si… segurava a barra do vestido e respirava ofegante olhando lá para baixo… atrás de si pedras protuberantes, árvores avantajadas, e o som silencioso da natureza…

Enquanto tentava focar seus olhos para ver o fundo ou onde aquele cordão de água caia, em suas memórias estavam os mais entranhos pensamentos, lembranças agitadas de como ela havia chegado ali, por que ela estava com aquele ar apavorado; somente ela poderia nos contar, caso conseguisse falar com sua boca aberta, que não se mexia, não batia os dentes… apenas ofegava… no escuro de sua mente viu olhos grandes, garras terríveis, um barulho infernal de algo arranhando o metálico, mas onde estaria o ferro ela pensou, se estava no meio de um nada verdejante e úmido… e de novo tudo ficou escuro, e ela viu os olhos longos, afilando um brilho intenso e anuviado… e ouviu um miado agudo… minhéééuuuuu… uuu… uuu… seria um gato fantasma…

A adrenalina deixa o corpo com os sentidos alertas, porém imaginem a seguinte cena, é a primeira vez que você está perdido na vida, isto é, numa idade de crescimento da infância pra adolescência, aquela confusão natural que essa época carrega, em um lugar que nunca esteve, e completamente sozinho, sem adultos ou outros quaisquer que sejam… sem estar acostumado com aqueles sons e cheiros… o pânico cresce… será? a mente prega peças e acabamos vendo coisas que não existem… será? o barulho da mata aumentava, era como uma corrida, algo vinha rápido, e o miado continuava confundindo mais e mais a mente da jovenzinha…

O quarto parágrafo era raro e quando acontecia significava que o nosso querido camarada estava tentando algo diferente de novo… a vontade de escrever um romance, uma aventura engraçada e inspiradora, dessas que prendem o leitor do início ao fim, e que cria-se uma identidade tão grande com os personagens que falamos deles como se fossem pessoas do nosso mundo material… chamamos pelo nome, contamos as eventualidades deles, e pensamos no que pode vir a acontecer caso ele descida isso ou aquilo dentro da história… o miado o despertou, ele olhou para trás e lá estava sua garotinha brincando com o filhote de gato…

Sonhando…

Agora sim aquele nosso camarada conseguiu sossegar a mente para poder desenvolver uma nova ideia… encontrava-se sentado no tapete felpudo de uma sala que tinha o formato quadrangular… luzes baixas e pesadas cortinas deixavam o ambiente sinistro e confortante… havia alguns livros espalhados ao seu lado, e uma taça pela metade de um vinho qualquer… ouvia-se uma música bem baixinho, algum tipo de instrumento de metal, não sei direito… o que você quer contar com suas histórias… sobre o que está escrevendo… criando…

Havia um lugar impossível de existir, pelo menos é o que ele imaginava aqui neste planeta… as cores, os contornos, as aparências das coisas que eram vistas, eram reconhecíveis, e ele usava um manto branco que lhe cobria o corpo inteiro, suas formas aparecendo em nuances do tecido macio… era uma enorme rocha flutuante, num formato triangular de cabeça para baixo!? árvores cobriam toda a parte superior desenhando com as montanhas paraísos encantadores… apertou seus olhos para visualizar uma cachoeira caindo em um azul com pontinhos brilhantes em uma piscina natural que desaguava no… nada… ele correu em direção de tudo aquilo… não estava sedento, não era pela “miragem”, mas a sensação da água gélida no corpo quando se mergulha em um poço cristalino junto do calor matinal… a pele se aquecendo aos poucos, arrepios percorrendo as células excitadas por estarem vivas e respondendo a respiração ofegante e alegre dos pulmões… vivo!

Acordou com um baque surdo e sentiu o corpo caindo em um escuro infinito… para todos os lados, somente a negritude, e o corpo leve, vinha “surfando” o ar… primeiro de costas, depois de frente… movimentos borboleteantes de ir e vir, bolhas de corzinhas luminosas, sorrisos gigantescos e o cheiro delicioso do alho fritando, vinha de onde? eu estava dentro da cabeça dele, ou ele que estava dentro do… além!

Não havia medo, nem apreensão… e sim alívio… será isso a morte? qualquer coisa que você sentiu, se o nome é alegria, se a barriga esfria, e os olhos se enchem como o próprio coração… de lágrimas de satisfação… e entender que são momentos, e que nesses momentos é que reside o clichê e a pieguice, as sensações pequeninas e carinhosas… isso é o que chamamos de amor, ou é a paixão de adolescente… cores de rosas, cheiros de flores, sabor de água límpida no pote de barro conhecido como moringa… e então… dormiu!

Casa comigo?

Não estava nada criativo, ou haviam desculpas em formas de “confortos capitalistas” que valiam a pena de vez em quando… na maioria daquela espécie, era praticamente a vida toda deles… quem inventou ou “quens”, no seja lá como for aquilo hipnotiza de tal forma que fica complicado explicar como perder tanto tempo com coisas que parecem inutéis, defendendo seu tempo diante da tela como mais importante por produzir cultura… porém ele consumia e amava o entretenimento, muitos diriam que é perder total o seu próprio tempo…

e ela disse Sim!

Quimera…

Deveria ser em um cenário utópico de alguma sociedade hiper avançada com valores completamente diferentes dos nossos, tanto individuais quanto coletivos… contudo a vida era por aqui mesmo, com suas nuances de relacionamentos marcados por ideias distintas de um ser que compreende minimamente a maior duvida de todas, “o que eu vim fazer aqui…” para cada um de nós, ser de uma espécie, ninguém tinha a resposta, alguns poucos procuravam e tentavam transmitir através dxs Cavaleirx da Virtude… A Religião foi criada pelos humanos, mas era forte demais através de uma fé, às vezes tão forte que realmente podia “abrir marés” e “mover montanhas”… Apartada por alguns outros humanos, ela seguia firme na loucura mundana, onde hecatombes aconteciam devido aos fortes adversários conhecidos como Os Pecados Capitais… A alegria rodeava, apesar dos dias sinitros que se seguiam enquanto aquela espécie cometia mais e mais atrocidades com seus semelhantes, desviando as palavras da Religião… Que dessa vez apoiada pelas suas “irmãs” de Virtude, Filosofia, Artes e Ciências andavam determinadas a conquistar suas amplitudes entre aqueles seres, e muitas vezes de formas colaborativas, juntavam-se para definir novas disposições para os relacionamentos abobados, deixando fluir mais e mais “princípios” de novos tempos, diferentes ideais… Em uma macro ideia, só vale a guerra entre as Virtudes e os Apocalípticos, tudo em uma ficção só!

O Mar…

Eu acho que a gente se fudeu… e ainda bem que não foi no sentido literal das palavras enxotadas dessa forma para começar um conto que para variar irão acontecer coisas que nos farão refletir um pouquinho, pensando nas hipóteses insanas de que há cientistas “guardando” as memórias de homens milionários mundo afora para que esses, ou essas seriam consciências??? Memórias são ou só fazem uma parte da bagunça?… e dai num futuro usar em um corpo cibernético… e a gente lia os livros de
Isaac Asimov imaginando um futuro cheio de rebuliços loucos como as danças africanas para as luas e para os sóis, mulheres lindas e fortes, homens delicados e floridos, animais os cercavam e não haveria para onde correr mesmo que tentassem sair na correria, quando viram o que um leopardo podia fazer com uma gazela de duzentos e ciquenta quilos pega pela mandíbula, imaginamos o que seria o encontro com um ser desse… e tem gente que defende armas… vai entender, onde está o espírito de aventura real, da vida sem horários marcados, sem fronteiras estúpidas e nem preconceitos que só originam debates sem pudores… eles se amavam, pelo menos em algum momento em que o sol dava bom dia ao som de Raul, podia ser real, estavam diante da única coisa que podia acalmar suas almas, e colocar razão para todo aquele fogo, o barulho suave e constante, ondas serenas, espumas lentas…

Acariciar…

E lá vamos nós em mais uma aventura delirante da mente desse sujeito que seguia firmemente em uma ideia fixa… ou várias… e todas ao mesmo tempo… e talvez por isso seja tão bom… e tão estranho… e de novo tudo… e o todo… e como sempre, caso exista um, ao mesmo tempo caótico… apetitoso… Abriu o novo editor uma vez antes e o preconceito aflorado o impediu de experimentar algo novo… havia de trabalhar nisso também… já na vida, para a vida, o momento em que você está, pode se dizer a idade atual, se parar para olhar para trás, verá que a sua vida talvez não fosse o que você pensasse que fosse, e com alguma certeza você não estará onde queria estar, a não ser que tenha tido aquela coragenzinha de que já falamos algumas outras vezes… agora abria de novo, após brigas e brigas internas e inclusive, como pode pensar em querer só o bom se o trem todo me parece um tanto explosivo… e o Conflito pulou em sua frente, nunca havia visto aquele monstro ainda, era diferente, não conseguia imaginar sua forma, o que era, ou pelo menos ter uma referência, uma mínima ideia que fosse, e você só ouviu um barulho estranho, um ruído que incomodava lá no fundo da cabeça, pulsando, saia da zona de conforto, produza, ouse, tente fazer um pouquinho diferente do que já foi feito, e vamos ver até onde essa loucura toda irá chegar… Apertou os olhos e continuou tentando imaginar, qual a face do Conflito…

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