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“Na Intimidade”

foi um daqueles encontros que a vida fica sem explicação, e as duvidas bobas surgem à toa, afinal, seria necessário explicações para o amor?!… ela e ele estavam sentados em uma canga florida em frente ao mar… as cores azuis daquele mar eram surreais demais para existir e inspirava os papos daquele dia… já se conheciam há algum tempo, porém intimidade, essa vem com a convivência, e parece que dos dois lados a sinceridade era desprendida demais… e adoravam isso!

_ Como assim? ela perguntou para ele mexendo nos cabelos cacheados que formavam nuvens com o sopro forte dos ventos por ali… _ assim uai! ele respondeu… muitas risadas se seguiram… _somos seres peidantes! fazemos barulho que às vezes não controlamos e é igual para os fluidos e cheiros que nossos corpos transmitem… e se iremos ficar juntos, conviver por certo tempo, é bom que você saiba que eu faço muito… ele ficou pensando se falava tudo diretamente ou… _ barulho!”… ela caiu na risada, colocou a bunda de lado e soltou um belo peido!… _ somos! ela completou e os dois rindo muito naquele momento… pode parecer uma bobeira danada, mas não é… corpos que convivem, ou se acostumam e se entendem, ou a relação irá durar muito pouco para criar algum vínculo que pode se chamar de afetivo… e se for formal ainda, pior… ou você é ou você não é de verdade, e a formalidade poda a nossa personalidade real, é simples assim…

_ Não dá para ter nojo de porra, suor, lágrimas, esguichos, ou mesmo do sangue de quem você está trocando na vida, por que senão, não haverá sexo, não haverá jantares juntos ou cuidados por que cortei meu dedo com a faca fazendo a salada… ela dizia… _ os abraços em dias de calor, molhados de suor após a caminhada na praia, o cheiro forte do sexo com aquela pegada íntegra, os fluidos trocados por bocas, pau e buceta, mãos e pele… ele completou…

e os papos inteligentes e profundos, as vivências rasas e tontas, sem nenhum sentido que apenas fazer rir… as trocas misteriosas de interesses, saber do outro o que o outro faz, como gosta de comer seu ovo frito e se dorme de coberta cobrindo os pés ou se toma banho com água gelada… se seu trabalho é instigante e te interessa e daí se compartilha mais e mais, e quanto mais se troca, quanto mais rasos se tornam profundos, mais rasos irão surgir, mais assuntos são trazidos para a mesa de jogatinas à noite com vinho e queijos, e mais ao fundo irão seguir como mergulhadores intensos no oceano brilhante da vida… quanto mais se doam, quanto mais se dão, mais e mais…

“Fú… Ria… Futuro…”

outro dia ele ouviu um sujeito dizer que se um escritor não sabia o que escrever quando a página estava em branco, que era para ele, o escritor, não forçar a escrita… a coisa toda deveria vir de um jeito natural, parecido com as inspirações dos artistas, afinal, existem semelhanças demais nas artes de uma forma geral… alguns sequer produzem quando não se sentem inspirados e podem passar por dias, e às vezes até semanas sem produzir uma palavra sequer… um rabisco sequer… um desenho sequer… qual é o motor, senão o amor por aquilo que faz você simplesmente sair da cama e fazer?! se o dele não é a escrita, não é a arte… o que seria, senão a confusão enlouquecida dos relacionamentos imaginários forjados por sentimentos vazios e insonsos como as paredes brancas de um prédio qualquer, comum, sem a menor das personalidades…

todas elas (as artes) estariam juntas em um só lugar, um só corpo… só que ao invés de movidas por desgostos e amarguras, seriam movidas pela fúria da coragem… sim, fúria por que quando se tem uma memória que não se quer ter, quando não quer lembrar como era a situação ou os envolvimentos que fizeram aquilo tudo lhe ser dolorido, era a fúria que traria coragem de passar por cima de si mesmo, de fazer aquela frase valer a pena e “dar a cara a tapa”, para que a circunstância vivida fosse alterada de vez… “olhe para si dentro do espelho e se reconheça!”…

é como aquela música do Inflames “Dont tell me, Tell my ghost, Cause I blame him, For all I dont want to know” (Não me diga, Diga ao meu fantasma, Pois eu culpo ele, Por tudo que eu não quero saber)… ele adorava seu gosto musical eclético, a letra forte numa batida desenfreada… a ideia da letra era o que importava, o sentimento que lhe trazia… e para dizer para o meu outro eu, o meu eu fantasma, aquele que não consegue me encarar, diga o que quiser dizer, vai ser somente com coragem que irá passar por cima disso tudo, lembrando que um dia irá morrer, então é melhor que não carregue esse sentimento por muito tempo, é a coragem para mudar e fazer… passou… próximo!…

“Devaneios do Personagem…”

passando algum tempo escrevendo sobre tantas coisas vividas e sentimentos intensos, ele reparou que escrever contos curtos sobre personagens aleatórios era algo muito mais difícil do que se podia imaginar… pela forma clássica da escrita de uma história em que para se entender todo o contexto é necessário colocar um início apresentando a figura, como por exemplo… Sara é uma jovem adulta que trabalha como nômade digital criando peças publicitárias para os hotéis e pousadas em que ela se hospeda… na sequência é necessário desenvolver uma problemática, algo que prenda seu leitor/expectador na sua história, tentando fazer com que ela seja o mais envolvente possível… (nesse caso coloca-se expectador também, por que o conto em si pode se tornar um roteiro para um curta metragem, por exemplo…)… e existem diversas maneiras de se fazer isso, e ele adorava uma das que ele considerava a mais possante de todas, uma verdadeira provocação que era a questão…”vocês estão me lendo?!”… no exemplo de Sara, seus problemas giravam em tornos de relacionamentos vazios e obscuros, com encontros distintos onde os outros personagens eram homens ou mulheres, transexuais ou bichos, e seus sentimentos que tomavam forma de monstros gigantescos e faziam-na agir de forma geralmente, impulsiva (esse monstro vinha na forma de um touro de cor roxa e laranja)… e esse era o tempero em que ela tinha que se envolver e se resolver, de não ter mais ciúmes, de ser mais confiante, de produzir coisas belas para compartilhar com o mundo, enfim… e o desfecho, era sempre o melhor… ainda aprendido com um certo mestre da escrita, que em vida real era um sujeito “escroto” para caramba, e que no entanto tinha uma sinceridade latente que lhe era muito inspiradora mesmo, e ele curtia aqueles finais dúbios, onde o leitor/expectador precisava prestar atenção no que está lendo/vendo… a duvida maior no final era… “termina assim?!”…

Lobos…

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Sem Amor…

_ ei vem cá, me dê sua mão!… ela falou no pé do ouvido dele… ele se levantou do sofá… _ o que foi?… _eu quero lhe mostrar uma… ela parou por um segundo de falar… e depois… _”coisa”… que eu achei… ela disse com um semblante de bochechas avermelhadas atrás de um sorriso tímido e cativante… os dois andaram até um local que lhe era diferente, lhe parecia diferente, ele não entendia como, pois tinha certeza de estar em sua casa… chegaram até uma porta… ela parou em frente segurando a mão dele firmemente, e olhou ele bem no fundo dos olhos… ele virou um pouco o pescoço ajeitando sua postura, de forma curiosa… _ então?… ele colocou o dedo indicador gentilmente em sua boca, fazendo sinal de silêncio, e depois, colocou na boca dele, tranquilizando-o… _está preparado?… ela colocou a mão na maçaneta e girou… a porta se abriu preguiçosa… e um brilho intenso saiu de dentro possuindo os dois corpos, que agora eram somente energia, flutuando pelo ambiente, amálgamas de experiências boas e ruins, conversas calorosas e um sexo mais ainda… seus umbigos se enlaçaram, seus pulsos giraram juntos, um abraço afável, penetrações desconcertantes, corpos nus e orgasmos arrebatadores…

ele abriu os olhos e ela segurava uma xícara de chá quentinha junto ao colo… estavam de frente para uma televisão antiga, daquelas de tubo ainda, e não se importavam com o filme que estava passando ali, nem mesmo sabiam se era um filme, um jornal, uma novela, ou suas próprias vidas… _ você viu?… ele tinha os olhos vidrados e de cor alaranjada… _ vi sim, só não acreditei… _ O que era aquilo? ele perguntou para confirmar… e ela respondeu _era o nosso………………..

Um Poema de Amor e Dor…

e o carinho recebido pelas pessoas da estrada, dessa longa caminhada que se torna uma jornada recompensadora demais… reconfortante demais… e mesmo sem o seu amor… aquele que sempre quis e nunca tive, pelo visto, e demorou para eu entender que nunca o tive… ainda assim, o seu encontro valeu a pena…

como diria Hilda Hilst, do que vale o amor sem putaria, escrever sem a pornografia, sem um delito de engano, uma dor no peito, cores colocadas sem o menor jeito, eu te vi pela primeira vez em uma escada curta, curta de degraus, de tamanho, uma distância minúscula e tão…

imensa…

então vivi essa ilusão de tamanha loucura, e era a minha a de acreditar, que uma amizade poderia virar mais, ser mais, por querer mais… e as diferenças eram descomunais… nenhum Sol é tampado por nenhuma peneira, que bobagem essa a minha, de não querer ver… as músicas ainda assim eram ótimas, salvavam bons momentos, gritos desconcertantes que balançavam nossos corpos e deixavam nossas mentes em plena conexão…

as idades afastadas, as estradas desencontradas, ela procurava motivo para não gostar de mim, e eu engolia aquilo, não queria crer, ou não queria ver… e de olhos fechados para um declínio fadado de um amor acabado, jamais iniciado, como um poema fútil e tolo… olhe dentro dos meus olhos agora, e procure por esse amor, sei que você se arrepende de muitas coisas, mas não disso, não de ter tentado ao extremo, a ponto de cometer as maiores loucuras, a ponto de viver a violência no coração, a ponto de sentir a dor eterna de uma costela quebrada…

O Tigre…

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Praia do Cotovelo…

foram 5 meses (opa escritor de verdade não escreve números com números, escreve por extenso… Hahahahahahaha)… seguindo, 5 meses até chegar de Belo Horizonte à Pipa no Rio Grande do Norte… e ele enlouqueceu… foi nesse estado que conheceu as praias mais lindas que já havia visto até então, lembrando que ele havia morado no Hawaii por 6 meses e em Paraty, por 2 vezes, dando um total de 1 ano e 5 meses… Pipa está linda demais! E o Rio Grande do Norte no geral é enlouquecedor… ele havia saído de Beagá atrás de um sonho, encontrar um pedacinho de chão para chamar de seu… lar… e não encontrou até chegar por ali… ficou parado por 2 meses em Pipa até chegar aquele momento em que a pele inteira coça, o sangue esquenta e a cabeça joga ele para fora da cama para a estrada… antes de sair, havia conhecido algumas outras cidades e praias incríveis desse estado que ele apelidou de “a Pérola do Brasil…”

Foi para Brasília, a cidade é incrível, mas está tão longe do litoral, que ele voltou para a estrada, e naquele momento completamente perdido ainda pensando, onde estará meu lar?!… e passou por Alto do Paraíso e São Jorge na Chapada dos Veadeiros, e ao entrar na Chapada Diamantina, tomou um susto, pois não imaginava que o oceano pudesse ter um competidor em termos de beleza, que eram aquelas montanhas, aqueles cânions cheios de cachoeiras e arco-íris… e atravessou loucamente até chegar no Rio Grande do Norte de novo… havia conhecido Touros, a cidade da ponta do país, nome em plural de seu signo, que é tão linda, mas tão linda, com praias impressionantes demais!… porém, parou em Pipa e depois subiu para Tabatinga, até chegar nesse lugar lindo, paradisíaco e encantador, conhecido como Cotovelo… ou melhor, a praia de Cotovelo!…

Sentiu segurança para trabalhar, realizar alguns hobbies, sair e passear, conhecer e explorar, engolir a natureza e engolir o mar, todos os dias pela manhã, todos os dias pela tarde, todos os dias à noite… e sentiu que tinha achado seu lugar… não fosse o estranho lance da apropriação indevida, e de lotes e casas que são de usucapião (seja lá o que isso realmente significa) e não teve coragem de se arriscar para se fixar ali… então ele decidiu que iria passar apenas o próximo verão, aproveitar ao máximo aquele lugar que dentro de todos os que conheceu, após rodar 7 meses por estradas brasileiras, a maioria delas pelo litoral, um lugar que ele quase chamou de “lar!”

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