“Adeus…”

ele possuía cascos fortes e grandes no lugar dos pés, e sobre sua cabeça dois chifres curvados e pontiagudos brilhavam juntamente com aquela argola pendurada em seu septo nasal… seu olhar era sereno, sua atitude lenta e paciente e tinha uma resistência enorme…

ela tinha uma linda cauda comprida que terminava com uma agulha na ponta, lustrosa e negra… no lugar de mãos possuía garras em formato de pinças, e se movia de forma furtiva e desconfiada… era perigosa, incrivelmente bela e sua picada era mortal…

as duas mais belas constelações vistas no espaço, desenhadas pelos antigos e estudadas pelos cientistas dos astros, faziam um caminho reto, em via de mão dupla, indo e vindo em energias singulares… eram as únicas constelações com essas características de comunicação… uma linha direta, que podia trazer uma convivência maravilhosa, tão fluida que mal era necessário abrirem suas bocas para conversar…

porém podia ser a pior comunhão de todas, pois essa concretude entre eles também traziam suas características mais complicadas, a preguiça e lentidão de touro contra a voracidade e sagacidade do escorpião, deixava o bate-papo bem caloroso e por vezes, por discórdias infantis, uma briga de proporções homéricas sem o menor sentido em suas existências…

ele queria vê-la novamente, senti-la… durante aquele percurso, algumas vezes ele soube que ela não o quis como amante, amigo ou qualquer relacionamento… e então, hoje em dia, ele só imagina como seria esse encontro, melhor dizendo, reencontro… ele se aproximou vagarosamente, com a cabeça abaixada e fazia um som como um ronronar de um gatinho… ela também se aproximou, com a cabeça abaixada e movimentos languidos… encostaram suas cabeças, testa com testa, sentidos alertas, cheiros marcantes, toques desejosos, um tesão que não cabia em um universo tão pouco entendido… eles giraram seus corpos celestes, e se afastaram com as mãos em pose de ataque, os dentes amostra como se fossem leões para uma briga… “por que você fez isso?!” ele perguntou raivoso com lágrimas nos olhos e pronto para essa investida… ela abaixou os braços… “não vale a pena, você sabia e eu já tinha te avisado… você não acreditou em mim, e quis se iludir por nós dois…”

ele engoliu a seco o choro, estufou o peito e virou-se de costas, caminhando para longe dela… e depois desse sonho louco e sem destino nenhum, após mais de ano sem saberem um do outro, ele decidiu que aqui, nesse conto, iria acabar com tudo, e colocar no final daquele longo caminho, o ponto.

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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