Fim do Dia…

era aquele momento em que a sobriedade tomava conta e ele ficava com uma impressão ruim de que estava com uma dor de cabeça… era a maconha indo embora de seu corpo, deixando-o vulnerável ao estado normativo social, aquele que te cobra e te coloca em um lugar bem estranho, em que se acredita que a vida tem haver com o “fazer”, seja um trabalho ou um hobby, buscando sempre alguma coisa que daria algum sentido à existência…

Por algumas vezes ele se encontrou com o mar e diante dele refletia e tentava uma conversa franca iniciada pela pergunta, “e agora?”, e ele com os pés atolados na areia, brincando de fazer montinhos ficava esperando uma resposta que nunca viria, nunca chegaria, nunca se faria entender… não para ele que era uma pessoa cética, e que, apesar de não gostar nem um pouco da vida comum, nos dias e dias de transito, trabalho e televisão (ele vivia assim, à sua maneira como qualquer outra pessoa), também não acreditava em um fim abrupto de sua própria vida…

tentava compreender e ter empatia pelo assunto do suicídio, no entanto não se via assim e não se considerava um, apesar de todos dentro de sua cabeça concordarem que era bem melhor não existir, do que existir e ficar fazendo qualquer coisa para buscar um sentido, sendo que pássaros voam, e golfinhos mergulham, o mar está vivo, e não por que está cheio de espécies que nem imaginamos existir, mas por que é feito de água, deliciosamente água…

sóbrio se questionava se valia a pena o que estava fazendo, se questionava por não ter objetivos concretos ou sonhos que não fossem realizáveis pelo estado em que se encontrava, se questionava pela própria sobriedade, algo que ele achava um saco, visto que nem o trabalho, nem um hobby, nem mesmo sua criatividade o libertaria dessas sensações estranhas que seu corpo o colocava… se tiver algum objetivo, seja qual for, parece que vai facilitar o processo até o seu fim… ou então dá seu jeito e planta sua planta, afinal de contas, a conexão com a natureza o faz muito mais “real” e “presente’ dentro dessa aceitação bizarra, de que acordamos, trabalhamos, fazemos algo de agradável para nós mesmos, e depois, morremos…

P.S. Detestava estar sóbrio, então resolveu escrever para si mesmo, caminhou na praia e por algum momento, agradeceu e… criou…

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

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