“Reli a Carta um Seilatilhão de Vezes…”

“e se você está dormindo, para quem é que eu estou escrevendo…” o nosso amigo de sempre dessa vez não delirava pelo vento todo aleatório… era um daqueles dias em que a sensação temporal supera a noção que temos do que é… tempo… parecia um futuro já visto, ou sentido de alguma outra forma que ele não conseguia expressar… ouvir The Cure também alienava as linhas, afinal, já teria vivido aquilo… sentido…

com certeza não eram os mesmos cheiros, sabores, ritmos, respiração… era forte a respiração dela… vocês já ficaram cara a cara com as Lobas? bem… por um lado, se tem alguma estima pela sua própria vida, imagina que ser cercado por elas não é algo lá fácil de lidar, são bichos enormes, fortes, com histórias tão ricas e pulsantes, que algumas se apresentam ferozes, firmes, outras tem olhos vermelhos e irradiam fogo com tanta energia, e todas, sem exceção, têm caninos com sede de sangue…

“…agora…”, ele pensou sentado em seu banquinho velho de madeira…”ela está me dando um baile… eu só posso querer acompanhar, e atirar para todos os lados, sem armas, só com harmonia e paz… um relacionamento conversado, desejoso… seria como? e é nessa curiosidade que ocorre o despertar… às vezes, mudando completamente a sua vida, por que sim, está aí para isso… “eu pensei um “seilátilhão” de vezes em te ligar e te falar sobre quem sou e para onde vou… ou quero ir… e agora… ” ele soltou o trago… conectou!

“coloque suas mãos para cima e sinta as estrelas… o caminho é longo né?” ela esticava o corpo até a ponta dos pés mostrando para ele como fazer, o que fazer, às vezes, era bom, seguir, ao invés de “ter” de saber o tempo todo… que pergunta inquietante… já repararam na musculatura de uma Loba? na energia concentrada com uma razão e clareza corporal em que não há limites para medir tamanha compreensão… eles conversaram sobre tantas coisas, sobre tudo, se ouviram e se falaram, e se beijaram, sentiram um tesão lindo um pelo outro, uma mistura de peles e ossos e toques e fluidos… o orgasmo é sentido na pele!

“vocês conseguem ouvir esse som?” ele estava hipnotizado, todos os sentidos aguçados o suficiente para a sobrevivência na mata… as árvores se comunicam, elas se defendem… tem outro tempo, outro ritmo, quase não percebemos, como falam entre si, suas raízes rasgando o planeta por baixo de entranhas digitais, conectadas por saberes milenares, atemporais no nosso ínfimo entendimento, o que viemos fazer por aqui… “você quer ir viajar comigo?” ” sorrisos trocados, sinceros, apoiados… “quero!”… bem, o resto vocês devem estar imaginando agora… aqui começa, uma nova história… 😉

Autor: pericles

Uma pessoa apaixonada por artes em todos seus âmbitos, um artista, um professor, um escritor entusiasta desenhando com letras! =)

2 comentários em ““Reli a Carta um Seilatilhão de Vezes…””

  1. Noooooooossssa que “contaço”! Gostei tanto que até li para minha psicóloga na sessão de hoje. Aliás, recebi alta do tema que estávamos trabalhando e ela me elogiou muito, ficou impressionada com meu humor, minha energia. Bem, mas voltando ao seu conto Lobístico… lembrei-me da minha trajetória de 2 anos fazendo parte de um Círculo de Mulheres no qual, estudamos o livro Mulheres que correm com os Lobos. Aliás, esse livro vem fazendo parte da minha vida desde 2019. A real é que sempre sonhei em acessar e permitir que a Mulher Selvagem que habita em mim guiasse a minha vida. Lembro-me de um exercício que a facilitadora do Círculo Selvagem nos pediu para fazer em Fevereiro de 2021, enquanto liámos e estudávamos o cap. Manawee, o único onde o personagem masculino referia-se a um homem, a não a energia masculina como nos outros capítulos. Bem, o exercício era escrever uma carta para o homem que chegaria ou que já havia chegado, a depender de cada mulher no círculo. No meu caso, ele iria chegar… Mas não era uma carta qualquer, e sim uma carta onde eu deveria apresentar minha alma profunda a esse homem que chegaria. Lembro de ter sentido tremor nas pernas sobre escrever essa carta, mas Taurina determinada que sou, escrevi na hora, no entanto, as palavras vieram em Inglês, e pensei: “olha acho que o homem que chegará será um estrangeiro.” Carta finalizada, eu num misto de entusiasmo e ceticismo, mantive-a como conteúdo guardado em áudio. Eis que quase 1 ano e meio depois… O tal homem chegou, “mas ele não é estrangeiro”, pensei. Transcrevi a carta em Português, entreguei-a! E no dia seguinte, entendi o estrangeiro, acho… Nada nele me é familiar e pensei: “sinal de cura”. Fiz a lição de casa! Uau… olha o que o seu conto provocou em mim… que poder, hein?! Agradeço e continuarei voltando.

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    1. Quero saber mais de você, desse ser selvagem que te habita e que você tenta dominar… saber dessas suas intuições e quais os sentimentos estão aflorando por aí… volta sim, está sendo uma troca linda, inspiradora… estarei esperando ansioso e muito obrigado pelas palavras! ❤

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